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As Oportunidades na Crise

Há cerca de 20 anos um dos meus professores de marketing disse-me: “o mercado não tem ameaças; tem oportunidades que tu não estás a ver”. A minha primeira reação foi de discordância, mas rapidamente percebi e a minha experiência tem-me confirmado vezes sem conta que ele estava certo. A última foi o fecho de uma confortável e bem decorada pastelaria num dos bairros periféricos de Lisboa passados 6 meses após a abertura, porque o volume de vendas não era suficiente para que a empresa pudesse continuar a funcionar, surgindo no seu lugar um estabelecimento de restauração e pastelaria, com baixo nível de serviço e com um preço muito competitivo. Nunca lhe perguntei, mas admito que para o primeiro empresário a razão para o insucesso tenha sido a crise, embora como se vê pelo sucesso do segundo, o motivo tenha sido de facto a incapacidade em perceber as características da oportunidade e implementar um negócio em conformidade.

As empresas precisam de deixar de procurar encontrar as “ameaças” que bloqueiam o seu negócio e focarem-se na identificação e caracterização das “oportunidades”. A razão para isso é simples: se se focam nas ameaças, arranjam uma boa razão para se desresponsabilizarem; se se centram nas oportunidades, criam um ambiente que estimula o fazer qualquer coisa para superar as dificuldades que se lhes apresentam. A imobilização, à espera que as oportunidades surjam por si mesmas, é que não é seguramente uma boa solução, porque a probabilidade de não surgirem é muito, mas mesmo muito alta. De facto, o tradicional álibi em muitas empresas de não “controlo do mercado”, desresponsabilizando-se assim pelo seu destino, também não é o melhor caminho, uma vez que resulta quase sempre numa espiral de vitimização, como se os seus responsáveis não tivessem qualquer possibilidade de agir e determinar o seu futuro.

Numa altura em que a maioria dos agentes económicos espera por “melhores dias”, esta situação é particularmente relevante, já que pode levar à inação que potenciará as probabilidades de insucesso das empresas. Sugere-se, em vez disso, que as empresas promovam uma reflexão sobre o que são (visão, modelo e estratégia de negócio), o que fazem (produtos e serviços que entregam) e como fazem (estrutura, processos e competências) e introduzam os ajustamentos que considerem pertinentes para capitalizarem as novas oportunidades existentes no mercado. Um trabalho indispensável mas insuficiente, já que o sucesso da implementação depende do compromisso de todas as pessoas que integram a empresa. Uma tarefa complexa que requer apoio especializado, como aquele que temos vindo a prestar a cada vez mais empresas que nos procuram com esse propósito.