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Trabalhar com os outros

Há dias, um amigo dizia-me que não entendia porque é que muitas pessoas dizem que é muito importante que todos trabalhem bem uns com os outros, quando, na prática, o que mais vê é cada um a “safar-se” por si, sem a mínima preocupação em ajudar os colegas, mesmo que os vejam pressionados e com falta de tempo. Nas suas palavras: “nas reuniões toda a gente está de acordo que é importante que todos colaborem e “puxem para o mesmo lado”; mas o que se vê no dia a dia é cada um centrado em si e na sua função”. Uma realidade comum a muitas empresas que traduz uma clara ambivalência entre o que as pessoas dizem e aquilo que, de facto, fazem na prática.

A capacidade das pessoas para trabalharem com outras é uma valência crítica nas empresas. Faz por isso todo o sentido saber quais as caraterísticas que mais contribuem para que as pessoas estejam dispostas a “trabalhar umas com as outras”. Patrick Lencioni, um dos maiores especialistas na área do trabalho em equipa, sugere no seu livro “The Ideal Team Player”, lançado no passado dia 26 de abril, três caraterísticas que o membro ideal de equipa deve possuir: humildade, ambição e inteligência. Três atributos cuja conjugação, em simultâneo, numa mesma pessoa, não é fácil de encontrar, mas que são incontornáveis para que “o trabalhar com os outros” seja vivenciado de forma positiva e que o resultado final alcançado pelas equipas esteja em linha com o que é pretendido pela gestão. Humildade, ambição e inteligência são igualmente características fundamentais na remoção dos cinco bloqueios que, na perspetiva do referido autor, mais dificultam o trabalho em equipa: falta de confiança, receio do conflito, baixo compromisso com o todo, difusão da responsabilidade e reduzido foco nos objetivos da equipa.

A perspetiva que Lencioni nos apresenta em “The Ideal Team Player” coloca assim as empresas perante o desafio de identificarem, contratarem e desenvolverem pessoas que têm na humildade, na ambição e na inteligência três características distintivas da sua personalidade e de atuação no trabalho. Os responsáveis das empresas devem, assim, em fase de seleção atender ao valor do perfil psicológico, do mesmo modo que em relação ao perfil técnico. Uma tarefa que é fundamental para que as empresas contratem e desenvolvam pessoas capazes de se descentrarem de si, para se preocuparem e se assumirem igualmente como corresponsáveis pela realização do trabalho dos seus colegas e das equipas em que se inserem.