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O trabalho deve ser fonte de felicidade. Mas, paradoxalmente, há cada vez mais pessoas que abandonam carreiras de sucesso para se dedicarem a atividades profissionais menos intensas, com remunerações incomparavelmente mais baixas, mas que lhes proporcionam tempo para fazerem coisas tão simples como levar e ir buscar os filhos à escola, praticar desporto ou apenas passear. Tipicamente estas pessoas referem que “finalmente” são felizes, afirmando sem reservas sentirem-se “muito melhor” consigo próprias e com os outros, apesar de terem ajustado o seu padrão de consumo a um menor rendimento, consequência do seu novo estilo de vida.

Essas pessoas têm capacidade e condições para adotarem um estilo de vida que é física e psicologicamente mais saudável, com impacto positivo no seu sentimento de felicidade. Mas, ao mesmo tempo, há também um elevado número de pessoas que continuam a encarar a segunda-feira como o primeiro dos quatro dias que têm que suportar para chegar à sexta-feira. Uma “carga” que as torna infelizes e que aliviam com o recurso crescente a psicofármacos, os quais acabam por contribuir para as tornar mais débeis enquanto pessoas e profissionais, gerando um problema com contornos sociais e económicos que deveria merecer muito mais atenção de cada um de nós, do governo, das empresas, dos gestores, dos parceiros sociais, dos educadores, dos trabalhadores, …  mas que infelizmente, com honrosas exceções, continua a ser ignorado, por omissão ou por conveniência.

A infelicidade das pessoas no trabalho tem sido percebida como que inevitável, porque presume-se de forma mais ou menos tácita que é incompatível com a competitividade das empresas. Mas esta perceção não faz sentido e deve ser abandonada, sob pena do foco continuar a ser a preparação das pessoas para saberem lidar com os fatores que condicionam o seu bem-estar físico e psicológico, em vez de uma abordagem que acomode a intrínseca necessidade humana de procura de felicidade. Uma realidade que deve fazer com que as empresas potenciem o sentimento de felicidade dos seus colaboradores, através do ajustamento do trabalho às suas capacidades e aos seus motivos de vida, ao mesmo tempo que geram horizontes de esperança, para todos e para cada um deles. Na verdade, o que verdadeiramente interessa é sermos felizes, porque vivemos, trabalhamos e evoluímos de forma muito mais natural, criando assim condições para entrarmos num circulo virtuoso de felicidade.

 

José Duarte Dias

Paradoxo Humano

Managing Partner

jduartedias@paradoxohumano.com