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Durante duas semanas estive e encontrei-me com vários portugueses que vivem e trabalham em Doha, no Catar, com idades entre os 30 / 35 anos, com formação universitária de nível superior nas áreas da engenharia, gestão, economia, … e evidenciando um sólido background profissional. Nas vezes em que falei com estes nossos compatriotas, as conversas acabaram invariavelmente sobre a forma como é eles e as suas famílias (muitos casados e com filhos) se adaptaram à cultura e ao estilo de vida do país, bem como sobre os seus planos para o futuro, nomeadamente em relação a um possível regresso a Portugal.

Para minha surpresa a sua grande maioria não tem no topo das suas prioridades o regresso ao nosso país. Nalguns casos admitem sair do Catar, mas não para Portugal. Dizem que ponderam regressar à Europa, mas para um outro país. No início assumia que esta motivação tinha que ver com o facto das remunerações que auferem no estrangeiro serem muito atractivas, claramente acima das que se praticam e que ganhariam por cá. Mas quando comecei a aprofundar melhor as razões para não quererem regressar, constatei que embora a questão financeira seja importante, o principal motivo tem que ver com a dificuldade em voltarem e terem que trabalhar em ambientes pouco organizados, sem planeamento, com horários que dificultam a conciliação entre a vida pessoal e a vida profissional, com chefes que não sabem exercer e assumir a autoridade e em que o mérito é atribuído sem critério, quase sempre de forma discricionária e arbitrária. De uma forma simples, querem ser respeitados.

A decisão destes portugueses de não quererem regressar ao seu país, porque não aceitam ter que lidar no trabalho com práticas inapropriadas de gestão de pessoas como as que foram elencadas, é, na minha perspetiva, um problema, cuja primeira consequência resulta num custo objetivo para cada um de nós, já que são profissionais que foram educados com o dinheiro dos nossos impostos e que agora não nos entregam os dividendos do investimento que realizámos. Uma realidade agravada pelo facto de se tratar de profissionais que estão no auge da sua capacidade de trabalho, certamente muito úteis para potenciar a rentabilidade dos investimentos que são efetuados pelas empresas na nossa economia, e que não vejo abordada e tratada de forma séria e aprofundada, provavelmente porque os custos estão ocultos, acabando diluídos nos impostos que pagamos como contribuintes.